Sobre o marxismo e o leninismo. Debate com Charles Bettelheim e Robert Linhart * Robert Linhart/Revue Periode
Sobre o marxismo e o leninismo. Debate com Charles Bettelheim e Robert Linhart
-Charles Bettelheim-
Robert Linhart
É comum interpretar a continuidade entre Marx e Lenin como um parâmetro imutável contra o qual todos os "desvios" do marxismo (stalinismo, esquerdismo, social-democracia) são medidos. Neste fascinante debate publicado em 1977, Robert Linhart e Charles Bettelheim, dentro do movimento marxista-leninista, ofereceram uma crítica decisiva a esse tipo de abordagem. Confrontados com os marxistas-leninistas para quem o "revisionismo" começa com Khrushchev, Linhart e Bettelheim desenvolveram o conceito de "formação ideológica bolchevique", como uma unidade contraditória de práticas e ideias, dividida entre tendências burguesas (economicismo, tecnicismo, burocratismo) e tendências proletárias (democracia operária, intervenção em massa na tecnologia). À luz das ideias de Mao Tsé-Tung e da Revolução Cultural, uma história diferente da União Soviética e de suas vicissitudes pode ser escrita. Nesse sentido, qualquer conceito de marxismo pode ser cooptado pela burguesia, e a ideologia proletária deve ser constantemente reposta em ação, em contato com as massas e as situações concretas. Esta conversa demonstra claramente que o marxismo é um pensamento aberto à realidade e ao presente, constantemente ameaçado pela involução reacionária e que merece, sem interrupção, refletir sobre o que lhe dará uma inflexão genuinamente revolucionária.
COMUNISMO (BF) : Para começar, algumas palavras sobre o que deu origem a esta discussão. Na revista Comunismo , há cerca de um ano, temos refletido sobre uma série de problemas interligados: a relação dos revolucionários em diferentes países com os países socialistas, as origens do revisionismo, a questão de Stalin… Todos esses problemas são colocados à luz das tarefas atuais, particularmente a luta teórica no presente período, dados os ataques a que o marxismo e o leninismo são submetidos por todos os lados. Ficou claro que o livro de Bettelheim ( As Lutas de Classes na URSS, cujo volume 2 acaba de ser publicado) e o livro de Linhart ( Lenin, os Camponeses, Taylor ) levantam, cada um à sua maneira, a questão do tipo de defesa do marxismo que deve ser promovida. Em nossa opinião, este é um importante debate político. Bettelheim aborda o problema do desenvolvimento do marxismo, a origem desse desenvolvimento e a relação entre o marxismo e ideologias estranhas ao marxismo, apresentadas dentro do "marxismo historicamente constituído". Linhart, por sua vez, fala da necessidade de uma "defesa crítica" do leninismo contra os numerosos ataques que sofre — isto é, uma defesa que leve em conta o leninismo como um "movimento de contradições".
Bettelheim, em seu capítulo sobre "formação ideológica bolchevique", você distingue entre marxismo revolucionário e marxismo historicamente constituído. Poderia explicar essa distinção, que na verdade é feita para entender o desenvolvimento do marxismo e as origens do revisionismo?
CHARLES BETTELHEIM: Gostaria, em primeiro lugar, de situar as formulações que utilizo no contexto em que surgem. Sou levado a apresentar essas formulações no âmbito de uma análise geral das transformações sociais na URSS, particularmente quando considero as formas específicas de transformação que ocorreram após a Revolução de Outubro, durante a NEP e, posteriormente, com a transição para os Planos Quinquenais. Isso me leva a desenvolver uma série de observações sobre as condições específicas em que a luta pelo socialismo se desenvolveu na União Soviética, por um lado, e na China, por outro. Isso me leva a considerar não apenas as características específicas das formações sociais, mas também a examinar com relativo detalhe as concepções dominantes dentro do Partido Bolchevique.
Estou tentando identificar o que, nas concepções defendidas em diferentes momentos pelo Partido Bolchevique, aparece como um aprofundamento do marxismo-leninismo e o que, ao contrário, aparece como efeito de elementos que, após análise, podem ser identificados como estranhos ao marxismo. Esses elementos, contudo, constituem um componente real do bolchevismo, que representa precisamente o que chamo de uma das formas de marxismo historicamente constituído.
O termo "marxismo historicamente constituído" designa o resultado historicamente datado da fusão do movimento operário e da teoria revolucionária. Essa fusão não leva necessariamente à apropriação da teoria marxista por organizações revolucionárias que se declaram marxistas. Para cada período histórico, essa fusão dá origem a um sistema ideológico contraditório, dentro do qual se articulam concepções de marxismo revolucionário e concepções a ele estranhas. É a partir desse sistema ideológico, especificado a cada vez, que as organizações políticas da classe trabalhadora que se declaram marxistas desenvolvem as "respostas" que oferecem aos problemas colocados pela luta de classes. É claro que essas respostas são, em última análise, determinadas pelas pressões que as diversas classes sociais exercem sobre as organizações operárias, de modo que o marxismo historicamente constituído evolui em consonância com a própria luta de classes.
Levando em conta as formas específicas de fusão entre a teoria revolucionária e o movimento operário, sou levado a distinguir entre o marxismo revolucionário — isto é, a teoria cujos alicerces foram lançados por Marx e Engels e que desde então se desenvolveu, enriquecida pelas lições aprendidas com as lutas de classes — e as concepções às quais esta ou aquela organização revolucionária adere. Essas concepções não incorporam necessariamente todas as conquistas da teoria revolucionária, devido às condições concretas em que cada organização operária foi formada e pôde apropriar-se do marxismo.
Assim, as diferentes formas de marxismo historicamente constituído têm cada uma sua própria história. Essa história é caracterizada tanto por uma certa continuidade histórica quanto por diferenças. Essas diferenças devem ser examinadas, particularmente para entender o que, no "marxismo" de uma dada organização, corresponde a um genuíno desenvolvimento teórico e, inversamente, o que corresponde a uma forma de obscurecimento de análises marxistas anteriores.
Se considerarmos o bolchevismo como uma das formas de "marxismo historicamente constituído", é possível — como tento fazer no Volume 2 de * Lutas de Classes na URSS * — observar que ele representa uma unidade contraditória na qual as conquistas do marxismo e do leninismo se combinam com toda uma série de concepções estranhas ao marxismo. Essas últimas concepções estavam ativas no bolchevismo nas décadas de 1920 e 1930, mas seu modo de combinação com as conquistas do marxismo mudou de acordo com as circunstâncias da luta de classes.
Em termos concretos, ao analisarmos o conteúdo das discussões que ocorreram no final da década de 1920, constatamos que, dentro do Partido Bolchevique, predominava cada vez mais a ideia de que o desenvolvimento socialista da URSS dependia fundamentalmente da capacidade do governo soviético de assegurar o rápido crescimento da indústria em larga escala e de sua capacidade de "mecanizar" a agricultura. Em relação a esta última, no final da década de 1920, a ideia de que a transformação socialista da agricultura dependia principalmente da disposição dos camponeses em trilhar o caminho da produção coletiva foi substituída por uma ideia completamente diferente: a de uma "revolução de cima para baixo", que imporia formas coletivas de produção aos camponeses, possibilitando o uso de máquinas. Assim, a teoria leninista de apoio aos camponeses pobres e de classe média para ajudá-los a trilhar o caminho rumo ao socialismo foi substituída por uma tese estranha ao marxismo: a de uma "revolução de cima para baixo". Uma transformação estava ocorrendo dentro da estrutura ideológica bolchevique. Essa transformação é possibilitada por certas características ideológicas do bolchevismo, mas, uma vez completa, leva a uma ruptura com o marxismo revolucionário.
É claro que essas transformações do quadro ideológico bolchevique estão situadas dentro de um contexto político específico, caracterizado por relações tensas entre o partido e as autoridades soviéticas, por um lado, e segmentos significativos do campesinato, por outro. Contudo, a falta de uma análise concreta das origens dessa tensão e das fragilidades da política camponesa que permitiram seu desenvolvimento resulta na priorização não da ação política e ideológica, mas das mudanças tecnológicas. Estas são então consideradas a condição determinante para a transformação das relações sociais, o que corresponde à adoção de uma tese "economista-tecnológica".
As profundas transformações que ocorrem na formação ideológica bolchevique, enquanto marxismo historicamente constituído, aparecem explicitamente, e em forma teórica, no texto de Stalin: "Materialismo Dialético e Materialismo Histórico". Neste texto, Stalin apresenta a teoria de que as transformações sociais são determinadas pelo tipo de relação existente entre sociedade e natureza. O texto postula o par "sociedade-natureza" como constituído por duas realidades externas uma à outra. A natureza é concebida como um "ambiente" da sociedade, enquanto a relação desta com a natureza é concebida sob a categoria de forças produtivas. O desenvolvimento dessas forças é afirmado como a força motriz das transformações sociais. Consequentemente, a luta de classes deixa de ser a força motriz da história; torna-se meramente um auxiliar para "auxiliar" o desenvolvimento das forças produtivas quando as relações de produção existentes se opõem a esse desenvolvimento. Este último ponto parece, portanto, resultar de uma espécie de "lei do progresso" no sentido da ideologia burguesa. Sabemos que essa ideia foi retomada por Oskar Lange, que fala da "lei do desenvolvimento progressivo das forças produtivas".
Assim, uma "dinâmica" externa à luta de classes seria a força motriz da história. Essa dinâmica asseguraria o "desenvolvimento social". Tal noção de "desenvolvimento social" constitui outro tema presente em "Materialismo Dialético e Materialismo Histórico". Esse tema ambíguo é estranho ao marxismo. Ele postula a "sociedade" como uma espécie de realidade em si mesma, independente das classes que a constituem.
Assim como o marxismo e a social-democracia alemã no início do século e a Segunda Internacional, o bolchevismo representa uma forma particular de marxismo historicamente constituído. Essa forma sofreu transformações particularmente significativas durante a década de 1930, transformações que resultaram no obscurecimento de princípios fundamentais do marxismo revolucionário, a saber, que a luta de classes é a força motriz da história em sociedades divididas em classes. Esse princípio fundamental foi substituído por outro: o papel motriz do desenvolvimento das forças produtivas. Da mesma forma, o conceito de transição socialista, que corresponde ao processo de transformação do capitalismo em comunismo, foi substituído pela noção não científica de um "modo de produção socialista".
Minha análise da formação ideológica bolchevique leva-me, no Volume 2 de *Lutas de Classes na URSS*, a distinguir entre o marxismo historicamente constituído (aquele que domina um determinado período histórico) e o núcleo científico das concepções que se dizem marxistas, núcleo que denomino marxismo revolucionário. Este último é produto das análises teóricas de Marx e Engels e do seu aprofundamento e desenvolvimento por aqueles que deram continuidade ao seu trabalho, baseando-se na experiência das lutas de classes e das revoluções. Ao introduzir as noções de "aprofundamento" e "desenvolvimento" do marxismo revolucionário, enfatizo que ele não está definitivamente "dado" nos textos dos "clássicos", nos textos de Marx e Engels. Como disse Lênin, eles lançaram as "pedras angulares" do materialismo histórico, mas esse materialismo, como todas as ciências, é necessariamente "inacabado". O marxismo revolucionário se transforma, portanto, e essa transformação ocorre com base no conhecimento existente, que é progressivamente enriquecido e articulado de modo a fornecer um relato cada vez mais preciso dos processos reais, possibilitando, assim, a ação sobre o curso da história. O desenvolvimento do marxismo revolucionário leva a formulações anteriores. O que distingue esse enriquecimento do marxismo é que ele não funciona como uma "justificação" da ordem vigente, mas constitui, antes, uma arma a serviço das lutas do proletariado, pois as orienta.
A experiência chinesa demonstra precisamente como o desenvolvimento do marxismo revolucionário por Lenin (um desenvolvimento de particular importância em seus escritos posteriores) foi usado para consolidar a ditadura do proletariado na China. Refiro-me aqui, em particular, ao que Lenin escreveu sobre a relação que o partido governante deveria desenvolver com as massas camponesas.
COMUNISMO (BF) : Em seu livro, o senhor usa o termo "contradições internas" dentro da formação ideológica bolchevique e afirma que essas contradições estão na origem do desenvolvimento do marxismo historicamente constituído, mas que o movimento dessas contradições é determinado pela luta de classes. No entanto, o uso desse termo "contradição interna" levanta um problema: que tipo de contradição? São apenas contradições internas dentro de um dado sistema de pensamento (e, nesse caso, corremos o risco de cair no idealismo, para o qual tudo ocorre no pensamento), ou são também, e sobretudo, contradições entre o estado do conhecimento em um dado momento, o estado do marxismo e a realidade objetiva? Qual é, de fato, o estatuto desse termo "contradição interna"?
C. BETTELHEIM: De fato, é correto questionar o status dessas contradições. Na verdade, esse termo designa várias realidades. Por um lado, refere-se às contradições entre o movimento em si e o nosso conhecimento dele, porque o processo de conhecimento é indefinido e nunca há uma correspondência completa entre o conhecimento e o movimento em si. Esse é um tipo de contradição que reaparece constantemente, ao mesmo tempo que se transforma. Mas, por outro lado, também se refere às formulações contraditórias que podem existir dentro do marxismo. Essas contradições são, elas próprias, uma consequência da correspondência desigual entre as teses e os conceitos do marxismo e o movimento em si.
Tomemos, por exemplo, os textos que o próprio Marx escreveu em diferentes momentos, mesmo em intervalos curtos, como os textos de O Capital . Ao analisarmos esses textos, podemos encontrar formulações que estão um tanto dessincronizadas entre si, algumas das quais nos permitem compreender melhor o movimento em si. Consequentemente, algumas formulações podem ser fonte de desenvolvimentos positivos, permitindo-nos apropriar-nos mentalmente da realidade e agir sobre ela. Por outro lado, outras formulações, que são, digamos, para usar uma metáfora, o legado de formulações anteriores, não dão conta das formas mais desenvolvidas do pensamento de Marx.
Assim, em O Capital , a oposição entre a dominação formal e a real das relações de produção é um tema de enorme relevância. Essa oposição demonstra que as transformações nas relações de produção constituem a estrutura dentro da qual as forças produtivas se desenvolvem e adquirem certas características. Contudo, apesar do papel dominante que O Capital atribui à natureza das relações de produção — relações que determinam a natureza das forças produtivas que nelas se desenvolvem —, encontramos, por vezes, na mesma obra, formulações diversas que sugerem que são as transformações técnicas que determinam as transformações sociais. Dessa forma, encontramos em Marx formulações que divergem e se contradizem. Algumas dessas formulações servirão precisamente como base para um desenvolvimento posterior do marxismo; outras, ao contrário, podem ser isoladas e utilizadas para justificar algo completamente diferente: uma concepção rígida de "marxismo" incapaz de genuíno enriquecimento.
COMUNISMO (HC): Como surge o corpo científico do marxismo e onde termina a teoria científica? Qual a relação entre esse corpo teórico e a formação ideológica bolchevique, se é que podemos chamá-la assim? Gostaria de ilustrar o que estou dizendo tomando o exemplo de O Capital , de Marx . Não demonstra a possibilidade de um desenvolvimento relativamente autônomo da teoria científica em relação às lutas de classes reais? Se considerarmos a teoria da mais-valia e da força de trabalho, os elementos concretos da vida real, a exploração do trabalho pelo capital, já existiam em 1844, assim como em 1867? No entanto, foi necessário um longo processo científico para que essa teoria emergisse... Deixarei de lado o fato de que essa teoria da mais-valia é crucial, que é indispensável de alguma forma, que é necessário defendê-la e aplicá-la. Em todo caso, não precisamos mais "descobri-la". Acredito que, sem esses vinte anos de trabalho científico, análise e estudo histórico da realidade e das leis do modo de produção capitalista, juntamente com as teorias burguesas, Marx não teria descoberto essa teoria. Mas, ao mesmo tempo, ele só a descobriu porque a procurava, porque tinha a ambição de dotar o proletariado de uma economia — que ele chamava de "economia política do proletariado" — portanto, porque inicialmente ocupava uma posição de classe, e foi essa posição de classe proletária que orientou seu trabalho teórico. Outros exemplos poderiam ser encontrados.
C. BETTELHEIM : A questão levanta um problema real e importante, que em parte se sobrepõe às questões levantadas no início desta discussão.
A própria história do marxismo e do leninismo nos obriga a reconhecer a existência de contradições internas no pensamento marxista. A existência dessas contradições abre caminho para um processo de crítica, autocrítica e retificação. Este trabalho é certamente impulsionado pelas demandas da luta de classes, mas isso não significa que se desenvolva apenas em resposta a novas experiências de luta ou em paralelo a elas. Ele também pode se basear na reflexão crítica sobre lutas passadas, incluindo lutas de classes ideológicas que demonstraram como certas formulações abriram caminho para concepções alheias às demandas das lutas do proletariado.
O exemplo dado, que se refere à mudança da noção de "valor do trabalho" para o conceito de "valor da força de trabalho", parece-me excelente. Este exemplo apresenta-nos um desenvolvimento que o próprio Marx empreende ao rever alguns dos seus textos anteriores. Este desenvolvimento no pensamento de Marx não resulta de grandes acontecimentos ocorridos no âmbito dos conflitos sociais. Decorre da crítica de Marx às conceções económicas burguesas, das suas críticas ao pensamento de Adam Smith e Ricardo, uma crítica que ele prossegue não por "fins intelectuais", mas para ajudar a classe trabalhadora a direcionar melhor as suas forças para transcender o mundo das aparências imediatas, apreendendo assim a interconexão interna das relações sociais.
Dizer que o marxismo, em qualquer estágio de seu desenvolvimento, contém contradições internas é, antes de tudo, dizer que algumas formulações marxistas explicam o movimento de classes em curso, enquanto outras não. Em outras palavras, equivale a reconhecer que certas formulações estão em desacordo com o movimento real. Dependendo das condições concretas da luta de classes, o desenvolvimento do marxismo resulta ou da consideração de suas próprias contradições internas ou das contradições que opõem o conhecimento marxista historicamente constituído ao processo histórico concreto. É por isso que os principais avanços do marxismo estão geralmente ligados ao surgimento de novas experiências históricas no campo das lutas sociais.
Assim, o desenvolvimento do marxismo apresenta dois aspectos. Um deles está ligado ao aprofundamento e retificação interna do sistema conceitual. Esse aspecto é impulsionado principalmente pela luta de classes ideológica. O outro aspecto está ligado às lutas travadas diretamente pela classe trabalhadora, lutas cujo resultado exige certas retificações ou esclarecimentos. O exemplo mais significativo desse desenvolvimento encontra-se nos escritos de Marx sobre a Comuna de Paris. Esses dois aspectos do desenvolvimento do marxismo são complementares. Dependendo do contexto político e ideológico, o primeiro ou o segundo aspecto desempenha um papel dominante no processo efetivo de desenvolvimento do marxismo.
COMUNISMO (BF) : Vamos voltar um pouco, Linhart. O que você quer dizer ao definir o pensamento de Lenin como um "movimento de contradições"? Você escreve que o pensamento de Lenin é dialético. Então você também fala de contradições, mas não me parece que elas tenham a mesma importância.
ROBERT LINHART: A pergunta feita anteriormente é bastante pertinente para explorarmos mais a fundo: trata-se de um sistema de contradições internas? É um pensamento que, em luta consigo mesmo, busca sua própria coerência, segundo critérios científicos ou uma cientificidade que ele mesmo se atribuiu? É um pensamento que está em contradição e em luta porque está em luta com a realidade, e porque a própria realidade é um sistema de contradições?
COMUNISMO (BF): Você escreve que o pensamento de Lenin está em conflito consigo mesmo e com a realidade. Portanto, há dois aspectos.
R. LINHART: Há dois aspectos; creio que um é decisivo e o outro é determinado: o pensamento de Lenin está em conflito consigo mesmo porque está em conflito com a realidade. Ele se elabora nesse conflito com a realidade porque não existe situação ideal: todas as situações são "bloqueadas" por definição e, se há um certo número de coisas a fazer e sobre as quais pensar dentro de um dado sistema de determinações históricas, isso sempre ocorre dentro de seus limites.
Quer consideremos o sistema de pensamento marxista, desde a época de Marx — a época de O Capital , da Primeira Internacional, das lutas operárias na Alemanha e Inglaterra do século XIX — ou o bolchevismo na Rússia de Lenin, ou o pensamento de Mao Tsé-Tung na China da Revolução Cultural, esses são sistemas de pensamento historicamente determinados e limitados. A única continuidade que se pode encontrar entre eles é a sua posição de classe, o fato de que o materialismo histórico que fundaram e desenvolveram é a arma teórica e ideológica apropriada pelo proletariado. Isso é verdade, por ora, historicamente. Mas é só isso. Quanto ao resto, parece-me que qualquer coisa além da comparação de textos e épocas é praticamente sem sentido: Marx não usou os termos "força produtiva", "tecnologia", "relações de produção", "Estado", "proletariado" e "burguesia" da mesma forma que Lenin, Stalin ou Mao Tsé-Tung. Em cada caso, é preciso examinar os detalhes. E o que eles têm em comum é menos importante do que aquilo em que diferem.
Sua pergunta inicial me parece correta: o marxismo está sob ataque, como pode ser defendido? O único marxismo que importa é o marxismo que luta pela revolução e a serve.
Por isso, a luta "em defesa dos conceitos marxistas" é, em última análise, ridícula quando pretende evitar qualquer aplicação concreta. A experiência demonstra que não há conceito marxista que não possa ser utilizado pela burguesia. E o proletariado pode apropriar-se de muitas noções inicialmente propagadas pela burguesia. Também aqui, podemos apenas elaborar os detalhes.
Vejamos um exemplo atual que me parece revelador: o conceito de "ditadura do proletariado".
Se imaginarmos o marxismo como uma espécie de sistema concêntrico com um núcleo universal e círculos contingentes, é óbvio que colocaremos a ditadura do proletariado no núcleo central: não é preciso citar os grandes clássicos, temos a impressão de que realmente temos aqui algo sólido.
E, naturalmente, quando Marchais abandonou oficialmente o termo "ditadura do proletariado" na primavera passada, alguns se indignaram e gritaram: "Eis aí uma traição ao marxismo!". De fato, poderia parecer uma batalha relativamente clara: o Partido Comunista está abandonando algo que o definia como um partido marxista em favor de algo que o define como um partido revisionista. Mas para quem analisa as coisas de uma perspectiva concreta, esse é um falso debate. O Partido Comunista há muito tempo é um partido revisionista, independentemente de se distanciar ou não da teoria da ditadura do proletariado, assim como o Partido Comunista que governa a Hungria hoje não é um partido comunista, embora afirme aderir à ditadura do proletariado.
Vamos além: esse falso debate mascara um debate real, essencial para todos aqueles na França que buscam um marxismo vivo. Se algo aconteceu no ano passado dentro das organizações revisionistas, deve-se observar, antes de tudo, não em seus estatutos, mas nas dificuldades surgidas com a União Soviética. Nesse aspecto, de fato, ocorreu uma série de eventos, e é urgente avaliar sua natureza e alcance. Existem agora contradições entre os revisionistas da Europa Ocidental e aqueles no poder na URSS e no Comecon? Essas contradições irão se desenvolver? Correspondem a divergências de interesses entre as bases sociais dos movimentos revisionistas ocidentais e as classes proprietárias no poder no Leste? Para qual forma de sociedade — o capitalismo de Estado — tendem as forças sociais que apoiam o revisionismo ocidental, e poderiam entrar em conflito com o imperialismo soviético? Essas são algumas das questões que se apresentam àqueles que desejam fazer do marxismo uma arma nas lutas na França hoje. O desaparecimento da expressão "ditadura do proletariado" dos estatutos do Partido Comunista Francês (PCF) não é a questão central: o que importa é se os PCFs ocidentais deixarão de ser agentes da infiltração soviética e se tornarão forças políticas de outra natureza. Isso não significa, é claro, que se tornariam novamente partidos marxistas e proletários! Se um processo genuíno de estabelecimento de um sistema revisionista ocidental que rompa com a URSS ocorresse, isso seria extremamente importante. E, em última análise, tanto melhor se abandonassem a expressão "ditadura do proletariado": um revisionismo aberto e dinâmico, capaz de crises e transformações, é preferível a um revisionismo oculto sob os princípios formais do marxismo, e ideologicamente estagnado juntamente com as massas que engana e imobiliza. Diante do revisionismo, o que precisamos não são as mesmas citações de sempre de Lenin (é muito fácil simplesmente responder que o mundo de 1977 não é mais o de 1917 e que devemos levar em conta os sessenta anos de experiência que se passaram), mas sim uma análise de classe do revisionismo moderno. Somente uma análise concreta de uma situação concreta é útil aqui. É por isso que é essencial considerar a ideologia — incluindo a nossa — em sua dinâmica. É nesse sentido que apresentei, em * Lenin, os Camponeses*, Taylor, o argumento de que os camponeses eram o tema do romance *Lenin, os Camponeses*.A noção de "formação ideológica" para designar o bolchevismo. Eu estava dizendo que abordava o leninismo por esse ângulo para iniciar a análise da formação ideológica bolchevique, ou seja, de um sistema de pensamento específico que emergiu dentro de uma luta de classes específica e dentro de uma situação que tinha suas limitações. Pelo que sabemos, as teorias, os sistemas ideológicos, são produto de forças sociais, de sistemas de pensamento historicamente constituídos. Os intelectuais ingleses ou alemães de meados do século XIX não são produto do mesmo sistema de determinações que os intelectuais russos do início do século XX , que os intelectuais chineses, que outros... Isso não significa que algo universal não seja alcançado a cada momento, mas essa universalidade existe apenas no particular, só assume seu significado no particular.
Se voltarmos ao problema da luta em torno do marxismo, há as formas mais óbvias de repúdio que emergiram nos últimos anos: a ideologia do desejo ou a ideologia anticomunista construída sobre a chamada descoberta dos campos soviéticos (digo chamada porque as pessoas da minha geração estavam bem cientes disso quando começaram a se engajar na política: no início da década de 1960, o sistema soviético repressivo certamente não era mais um segredo para ninguém!). Esses colapsos ideológicos, que ocorrem em ondas, são obviamente os mais espetaculares, mas há outras maneiras pelas quais o marxismo é cooptado pela ideologia burguesa. Penso que a defesa dogmática do marxismo também é uma forma de sua erosão. Essa defesa dogmática não consegue se engajar com as lutas ideológicas concretas, impede-nos de compreender as transformações concretas que ocorrem tanto na ideologia quanto na sociedade e, gradualmente, transforma o marxismo em um sistema de pensamento repetitivo e cada vez menos utilizado. Além disso, não resiste bem a choques! Temos hoje um excelente exemplo disso: estamos testemunhando uma nova onda de antimarxismo em relação à China, e isso certamente deveria nos levar a refletir sobre o problema de defender o marxismo e o que realmente significa o marxismo revolucionário. O que me impressiona em tudo isso é que estamos presenciando uma espécie de colapso do maoísmo europeu, ou seja, de um sistema de pensamento no qual se imaginava que todos os principais problemas haviam sido finalmente resolvidos — as relações entre líderes e liderados, entre operários e camponeses, entre pequenas e grandes empresas, e assim por diante. Finalmente, havíamos chegado à Verdade com V maiúsculo. Todo um rousseaunismo ingênuo foi, portanto, construído a partir da simplificação do maoísmo, e transformado em uma espécie de ideologia normativa pela qual se poderia julgar todos, de Stalin a Lenin, passando por Marx… Mas, se estudarmos um pouco a China, veremos que isso não corresponde à realidade. E, além disso, essa imagem tende a ruir diante das lutas políticas e de classe que se manifestam na China. Para quem adota uma perspectiva materialista histórica, isso não é nenhuma revelação: não existe um modelo fixo, e toda sociedade é meramente uma espécie de resultado de forças de classe contraditórias — e, no caso da China, essa situação parece estar longe de ser estabilizada. Mas para aqueles que adotam uma visão idealista (um quadro normativo de referência onde os critérios do bem e do mal são fixados de uma vez por todas), trata-se obviamente do desmoronamento de um sonho: a China é uma sociedade como qualquer outra... Essas pessoas pensam que estão aprendendo coisas espetaculares hoje — mas o único aspecto espetacular delas é que estão trazendo o pensamento crítico de volta à tona! Vejamos a agricultura: parece estar emergindo hoje que um dos principais problemas da economia chinesa,Trata-se da estagnação da agricultura. E, ao que parece, uma das decisões tomadas já em 1974 para combater essa estagnação foi modificar a política de fertilizantes, cujo modelo de produção não permitia a renovação suficiente dos solos intensamente cultivados. Decidiu-se, portanto, ir além da dependência exclusiva de pequenas e médias fábricas de fertilizantes e complementar o sistema com o desenvolvimento de uma grande indústria química que pudesse servir de base para uma produção de fertilizantes mais sofisticada e em larga escala. Em si, devo dizer, tal fato tem pouca relevância: precisaria ser inserido em um contexto mais amplo, com o qual não estou muito familiarizado. Pode ser uma decisão acertada, pode ser uma decisão equivocada. Pode favorecer uma força social em detrimento de outra… Na minha opinião, só pode ser avaliada dentro de uma análise abrangente da estrutura social chinesa. Mas, de uma certa perspectiva idealista, isso será visto em si como um ponto de virada catastrófico: grandes quantidades de fosfato e amônia terão que ser processadas, tecnologias estrangeiras terão que ser importadas (o que os chineses já começaram a fazer), e assim por diante. Todas essas coisas são inerentemente ruins. Poderíamos responder que os chineses não importam fábricas prontas para uso da mesma forma que outros países; eles as reexaminam minuciosamente, cada aspecto é reavaliado e assim por diante. Em suma, uma análise complexa é inevitável, uma que envolve fatores que vão além do preto e branco. Além disso, estou convencido há vários anos de que uma parte significativa da realidade na China permanece desconhecida, pela simples razão de que o aparato de propaganda (que nos transmite uma certa imagem) é alvo de intensas lutas políticas e ideológicas entre grupos que estão em constante evolução — como vimos claramente — e que cada um apresenta uma narrativa particular quando controla a informação. Assim, uma posição marxista, para não ruir a cada mudança de análise, propaganda ou equilíbrio de poder político, deve aderir a certos princípios básicos e manter um espírito crítico na análise de uma determinada formação ideológica, em relação à realidade… O que está ruindo hoje não é o marxismo, nem o papel histórico da China e o pensamento de Mao Tsé-Tung, mas o idealismo histórico; que bom que se foi. Infelizmente, podemos prever que isso assumirá outras formas…e para completar o sistema, desenvolvendo uma grande indústria química que pudesse servir de base para uma produção de fertilizantes mais sofisticada e em larga escala. Em si, devo dizer, tal fato tem pouca importância: precisaria ser colocado no contexto do todo, do qual sei muito pouco. Pode ser uma decisão certa, pode ser errada. Pode favorecer uma força social em detrimento de outra… Na minha opinião, só pode ser apreciado dentro de uma análise abrangente da estrutura social chinesa. Mas, para uma certa visão idealista, isso será considerado, em si, um ponto de virada catastrófico: grandes quantidades de fosfato e amônia terão que ser processadas, tecnologias estrangeiras terão que ser importadas (o que os chineses já começaram a fazer), e assim por diante. Tudo inerentemente ruim. Ao que se poderia responder que os chineses não importam fábricas prontas da mesma forma que outros países, que as reexaminam minuciosamente, que todos os aspectos serão reanalisados, e assim por diante. Em suma, não podemos escapar de uma análise complexa onde existem outros fatores determinantes além do preto e branco. Além disso, estou convencido há vários anos de que uma parte considerável da realidade na China permanece desconhecida pela simples razão de que os meios de propaganda (que nos transmitem uma determinada imagem) são objeto de intensas lutas políticas e ideológicas entre grupos que estão em constante transformação — como vimos claramente — e que cada um apresenta uma imagem particular quando controla a informação. Portanto, uma posição marxista, para não ruir a cada mudança de análise, propaganda ou equilíbrio de poder político, deve aderir a certos princípios básicos e manter um espírito crítico na análise de uma dada formação ideológica, em relação à realidade… O que está ruindo hoje não é o marxismo, nem o papel histórico da China e o pensamento de Mao Tsé-Tung, mas o idealismo histórico; que bom. Infelizmente, podemos esperar que ele assuma outras formas…e para completar o sistema, desenvolvendo uma grande indústria química que pudesse servir de base para uma produção de fertilizantes mais sofisticada e em larga escala. Em si, devo dizer, tal fato tem pouca importância: precisaria ser colocado no contexto do todo, do qual sei muito pouco. Pode ser uma decisão certa, pode ser errada. Pode favorecer uma força social em detrimento de outra… Na minha opinião, só pode ser apreciado dentro de uma análise abrangente da estrutura social chinesa. Mas, para uma certa visão idealista, isso será considerado, em si, um ponto de virada catastrófico: grandes quantidades de fosfato e amônia terão que ser processadas, tecnologias estrangeiras terão que ser importadas (o que os chineses já começaram a fazer), e assim por diante. Tudo inerentemente ruim. Ao que se poderia responder que os chineses não importam fábricas prontas da mesma forma que outros países, que as reexaminam minuciosamente, que todos os aspectos serão reanalisados, e assim por diante. Em suma, não podemos escapar de uma análise complexa onde existem outros fatores determinantes além do preto e branco. Além disso, estou convencido há vários anos de que uma parte considerável da realidade na China permanece desconhecida pela simples razão de que os meios de propaganda (que nos transmitem uma determinada imagem) são objeto de intensas lutas políticas e ideológicas entre grupos que estão em constante transformação — como vimos claramente — e que cada um apresenta uma imagem particular quando controla a informação. Portanto, uma posição marxista, para não ruir a cada mudança de análise, propaganda ou equilíbrio de poder político, deve aderir a certos princípios básicos e manter um espírito crítico na análise de uma dada formação ideológica, em relação à realidade… O que está ruindo hoje não é o marxismo, nem o papel histórico da China e o pensamento de Mao Tsé-Tung, mas o idealismo histórico; que bom. Infelizmente, podemos esperar que ele assuma outras formas…Tudo é inerentemente ruim. Poderíamos responder que os chineses não importam fábricas prontas para uso da mesma forma que outros países; que as avaliam minuciosamente, que cada posição é reanalisada e assim por diante. Em suma, que não podemos escapar de uma análise complexa onde existem outros fatores determinantes além do preto e branco. Além disso, estou convencido há vários anos de que uma parte significativa da realidade na China permanece desconhecida, pela simples razão de que os meios de propaganda (que nos transmitem uma certa imagem) são objeto de intensas lutas políticas e ideológicas entre grupos que estão em constante evolução — como vimos claramente — e que cada um apresenta uma imagem particular quando controla a informação. Assim, uma posição marxista, para não ruir a cada mudança de análise, propaganda ou equilíbrio de poder político, deve aderir a um certo número de princípios básicos e manter um espírito crítico na análise de uma dada formação ideológica, em relação à realidade… O que está ruindo hoje não é o marxismo, nem o papel histórico da China e o pensamento de Mao Tsé-Tung, mas o idealismo histórico; que bom que se foi. Infelizmente, podemos prever que isso assumirá outras formas…Tudo é inerentemente ruim. Poderíamos responder que os chineses não importam fábricas prontas para uso da mesma forma que outros países; que as avaliam minuciosamente, que cada posição é reanalisada e assim por diante. Em suma, que não podemos escapar de uma análise complexa onde existem outros fatores determinantes além do preto e branco. Além disso, estou convencido há vários anos de que uma parte significativa da realidade na China permanece desconhecida, pela simples razão de que os meios de propaganda (que nos transmitem uma certa imagem) são objeto de intensas lutas políticas e ideológicas entre grupos que estão em constante evolução — como vimos claramente — e que cada um apresenta uma imagem particular quando controla a informação. Assim, uma posição marxista, para não ruir a cada mudança de análise, propaganda ou equilíbrio de poder político, deve aderir a um certo número de princípios básicos e manter um espírito crítico na análise de uma dada formação ideológica, em relação à realidade… O que está ruindo hoje não é o marxismo, nem o papel histórico da China e o pensamento de Mao Tsé-Tung, mas o idealismo histórico; que bom que se foi. Infelizmente, podemos prever que isso assumirá outras formas…
COMUNISMO (CR) : Precisamos revisitar a ideia de distinguir entre marxismo, bolchevismo, etc., como sistemas meramente limitados historicamente, onde a diferença entre eles é maior do que suas semelhanças. Aí reside um perigo: considerar apenas sistemas determinados histórica e geograficamente que não têm conexão entre si e, além disso, impossibilitar que aqueles dentro desses sistemas julguem ou avaliem o que está acontecendo nos outros.
R. LINHART : O que você está dizendo é uma caricatura. Há uma unidade em tudo: é a posição de classe, a posição proletária, e é por isso que o marxismo, o marxismo histórico, quando chega às massas, se torna uma arma do proletariado — e essa é a unidade de tudo. Dito isso, o que me parece mais vital do que nunca é ter consciência de que essa unidade nunca é determinada pelos próprios textos. Vejamos um exemplo atual. É sabido que muitos marxistas franceses consideravam excelentes os textos daqueles que hoje são chamados na China de "Grupo dos Quatro". Muito bem. Mas qual o problema em avaliar a linha dos "Quatro"? O problema é saber qual era a sua prática real, qual era a sua relação com as massas e quais as consequências reais que a sua linha política teve para as diversas forças sociais em movimento na China. Esse é o único problema real.
COMUNISMO (HC) : Como se dá a luta ideológica entre marxistas? Usaremos os textos e teses de uma época específica para examinar as posições de um ou de outro. Não leremos textos marxistas por ler, nem faremos história por fazer história; leremos para tomar uma posição hoje com base nos problemas que surgem hoje: ou seja, usaremos as conquistas de ontem para o presente. Nesse sentido, a luta ideológica entre marxistas é uma luta de classes. Hoje, por exemplo, é essencial saber onde reside a divisão entre Lenin e Stalin. É, portanto, essencial realizar uma análise materialista da luta de classes na URSS que nos permita dizer: aqui está a ruptura entre Lenin e Stalin. Não se trata simplesmente de interpretar os textos, mas de observar que um determinado texto, correspondente a uma determinada conjuntura, sinaliza, pelo abandono de uma conquista ou posição de classe específica do marxismo, que é resultado de uma luta de classes e que, no plano teórico, o proletariado não prevaleceu. Poderemos então afirmar que, nessa situação concreta, dentro da estrutura da "formação ideológica bolchevique" em um dado momento, uma linha política, posição ou conceito específico defendido por Stalin representava a posição da burguesia. Nesse sentido, a obra de Bettelheim é muito útil. Chega um ponto em que essa formação bolchevique se transforma em seu oposto, e a burguesia prevalece. Essa vitória da burguesia foi resultado de uma luta de classes, inclusive nos níveis ideológico e teórico. Isso só pode ser compreendido em referência a um nível marxista revolucionário, uma certa "conquista".
R. LINHART: Um dos objetivos do meu livro (em particular o capítulo sobre Gorki) foi explorar as raízes do ódio anticamponês que existia no partido bolchevique e na intelectualidade socialista russa, e a luta que Lenin travou contra essa ideologia anticamponesa difundida pela pequena burguesia intelectual e urbana com a qual ele teve que se aliar. Para entender isso, ele também retrocede muito antes da revolução, ao fracasso do populismo, e até mesmo à relação entre as classes sociais do Estado russo… Em todo caso, é algo que posteriormente se cristalizou e assumiu uma forma extremamente violenta e feroz durante o período de Stalin.
A questão que você levanta, ou seja, como a ideologia personificada em Stalin tomou forma, é, na minha opinião, fundamental. Mas é uma questão que absolutamente não pode ser respondida examinando os textos de Stalin (que, aliás, são geralmente apresentados hoje em dia de forma truncada) e buscando coerência interna, o momento em que ele se desvia da perspectiva de Lenin, ou o momento em que uma de suas formulações difere das de Marx, e assim por diante. O que permanece como a questão fundamental, a meu ver, ao avaliar Stalin, pode ser resumido da seguinte forma: na Rússia, durante as décadas de 1920 e 1930 e posteriormente, havia um sistema de contradições concretas entre forças de classe em constante transformação. Stalin representava principalmente o aspecto burguês ou proletário dentro desse sistema de contradições? Em 1929, Stalin não discutiu com Mao Tsé-Tung, os "quatro", os ecologistas, etc. Ele discutiu com Bukharin, Trotsky, Zinoviev... Havia então uma série de correntes situadas, contradições sobre a questão camponesa, a política industrial, a questão do terrorismo, tudo isso dentro de um horizonte que era o da época e que, desde então, temos muito além.
Mesmo pessoas que se opunham completamente umas às outras concordavam plenamente em pontos que hoje nos parecem totalmente questionáveis. Vejamos a "oposição operária" de Kollontai e os textos de 1920-21: sabemos que ela afirmava opor-se à burocratização, ao controle do partido e do Estado sobre a classe trabalhadora; assim, parece representar a corrente que enfatizava a iniciativa operária diante de algo mais autoritário e organizado. Mas observemos o que Kollontai diz sobre tecnologia: ela tem exatamente a mesma concepção de tecnologia que Lenin e afirma coisas totalmente análogas sobre o papel dos especialistas, a indústria em larga escala que deve funcionar como um relógio, etc. Claro, é fácil afirmar hoje, em retrospectiva: "Mas deveríamos ter abandonado a aplicação da tecnologia industrial capitalista e inventado outra, mobilizando a iniciativa técnica das massas!" Tudo o que podemos dizer é que esse ponto de vista não havia surgido na época: não havia aparecido em nenhuma das correntes ideológicas revolucionárias existentes e potencialmente opostas. A partir disso, pode ser interessante investigar por que não surgiu então. Isso exige examinar a formação da classe trabalhadora, a existência ou ausência de habilidades artesanais na produção industrial em larga escala e o problema das importações de tecnologia que surgiu na Rússia da época. Não me alongarei mais: tentei analisar tudo isso na segunda parte do meu livro. De qualquer forma, tudo isso merece uma investigação mais aprofundada e, se feita com atenção suficiente às condições concretas da época, começa-se a definir uma estrutura mental específica que, até certo ponto, elimina alternativas. As pessoas daquela época sentiam-se completamente em desacordo, mas concordavam em algo fundamental que só se tornaria evidente cinquenta anos depois!
Em relação ao ponto de virada crucial de 1929, parece-me que devemos aderir a essa mesma perspectiva materialista: refletir sobre todo o sistema social, sobre o "paralelograma das forças políticas e de classe", sobre os diferentes pontos de vista dentro da crise (mencheviques, trotskistas, bukharinistas, etc.), sobre as linhas que emergiram (crescimento cauteloso, coletivização e industrialização aceleradas…), sobre os comportamentos ideológicos das forças reais que existiam (as aldeias, os pequenos agricultores, a burguesia rural, a administração soviética, o aparato partidário, as várias categorias de operários…). Assim que se tenta imaginar, o que certamente não é proibido, o curso de ação correto que ninguém formulou, entra-se em um domínio muito mais especulativo: então, é preciso demonstrar que as condições para o desenvolvimento desse curso também existiram. Caso contrário, cair-se-á em uma narrativa idealista onde tudo poderia ter corrido bem, na linha de: "Tudo o que era necessário era…".
COMUNISMO (BF): Entre Stalin e Lenin, embora haja unidade, também há diferença: o problema reside em determinar o que predomina, a unidade ou a diferença? A questão é a seguinte: de que maneiras Lenin utiliza o marxismo em um sentido revolucionário para analisar (e transformar) a situação concreta em que se encontra, e de que maneiras Stalin utiliza, ou não utiliza, o marxismo em um sentido revolucionário na situação concreta de seu tempo? Por exemplo, nos textos de Lenin sobre cooperação, podemos observar como ele reapropria, em condições históricas específicas, certas ideias essenciais que Engels havia desenvolvido em outras condições e em outro momento ("A Questão Camponesa na França e na Alemanha", de 1894) e como as utiliza para compreender as contradições e traçar o rumo para a transformação das relações sociais no campo. As teorias propostas por Engels na época haviam sido sepultadas pela social-democracia alemã, cujas ideias influenciaram fortemente a vasta maioria dos bolcheviques. Em alguns aspectos, Lenin reviveu e desenvolveu as teorias de Engels sobre a necessidade de evitar a violência contra os camponeses e sobre a cooperação como uma forma interna e progressiva de coletivização.
Este exemplo (e muitos outros poderiam ser citados) ilustra por que, na minha opinião, é um erro considerar os marxismos de diferentes épocas apenas como sistemas historicamente limitados, sem quaisquer conexões reais entre eles. Claramente, as condições históricas concretas e a conjuntura da luta de classes não podem ser excluídas da análise (caso contrário, cairíamos no idealismo). Mas reduzir tudo a essas condições é distorcer o argumento na direção oposta. Em última análise, essa abordagem pode justificar qualquer coisa ou, por exemplo, levar à conclusão de que o colapso da aliança operário-camponesa, ou mesmo o restabelecimento da ditadura burguesa na URSS, eram inevitáveis.
Você mencionou anteriormente o exemplo do abandono da ditadura do proletariado pelo Partido Comunista Francês (PCF). Você tem razão ao dizer que uma denúncia dogmática desse abandono deixa de lado o ponto essencial: por que o PCF, que há muito tempo adota o revisionismo, está agora abandonando a proclamação formal desse princípio. Em outras palavras, para entender isso, precisamos de uma análise concreta do revisionismo, da imagem da ditadura do proletariado tal como existiu na URSS a partir da década de 1930, e assim por diante. Mas isso também é necessário porque devemos defender a teoria marxista da ditadura do proletariado, desenvolvida por Marx, Lenin e Mao: ela é uma arma indispensável na luta pelo comunismo. Que essa teoria em si deva ser examinada criticamente, que seja vital desenvolvê-la com base na experiência adquirida, que ela deva necessariamente ser enriquecida por novas experiências no futuro — tudo isso é certo. Mas sua apropriação pelo proletariado é decisiva. E isso se aplica a todos os conceitos fundamentais do marxismo-leninismo: nesse sentido, é errado dizer que os conceitos de forças produtivas, relações de produção, Estado, classes, proletariado, burguesia etc. são concebidos de maneira fundamentalmente diferente por Marx, Lenin e Mao. Pelo contrário, o que eles têm em comum é, essencialmente, mais importante do que suas diferenças. Caso contrário, não entenderíamos como, a partir de uma análise conduzida com base na teoria marxista e nos conceitos do materialismo histórico, foi possível transformar (ou começar a transformar) a realidade social.
Se levarmos às últimas consequências o argumento de que o marxismo é meramente uma posição de classe proletária dentro de um dado contexto, não conseguiremos mais compreender o que é o revisionismo: ficaremos, portanto, indefesos contra ele. Bettelheim escreve que o que permite o surgimento do revisionismo em uma determinada época são, em particular, as contradições do marxismo historicamente constituído do período precedente. Isso implica que o revisionismo se valerá daquilo que era estranho ao marxismo, ou daquilo que era contraditório dentro do próprio marxismo. Parece-me que esse aspecto (contanto que não o consideremos a única causa, negligenciando as transformações das relações de classe) é importante, pois nos permite levantar a questão das transformações dentro do próprio marxismo.
Por outro lado, creio que a sua posição, Linhart, equivale a relativizar completamente o marxismo (ou os marxismos de diferentes épocas) e a isolar os diferentes períodos históricos, ou seja, a tornar incompreensível o desenvolvimento ou a regressão do marxismo, da teoria marxista.
Embora seja verdade que o "núcleo revolucionário do marxismo" não seja definitivamente estável ou eternamente adquirido, ele existe, e é essa existência que fundamenta a possibilidade de desenvolvimento.
R. LINHART : Esse conceito de "núcleo revolucionário do marxismo", receio que seja um pouco como o horizonte, que se distancia à medida que nos aproximamos dele. Conforme as lutas de classes se desenvolvem, passamos nosso tempo reexaminando noções básicas: classe social, Estado, forças produtivas, etc., porque cada geração produz novas formas de ideologia burguesa dentro daquilo que parecia à geração anterior como o "núcleo revolucionário".
Há algo específico do nosso tempo, porém: temos um vasto império revisionista, capitalista e imperialista que se camufla completamente na metodologia marxista, incluindo a teoria da ditadura do proletariado! Os soviéticos estão publicando as obras completas de Lenin. Surpreende-me que isso não choque mais as pessoas. Mas deveria nos fazer refletir... Estão publicando todos os textos revolucionários de Marx e Lenin que estamos discutindo e, aparentemente, isso não está abalando o sistema soviético até seus alicerces!
Hoje, na China, a questão é se uma determinada postura em relação à tecnologia, à produção em pequena escala e ao papel da superestrutura favorece o proletariado ou a burguesia. Na minha opinião, isso só pode ser resolvido por meio de uma análise concreta, e muitos dos elementos necessários para construir tal análise nos escapam. Podemos muito bem descobrir, daqui a alguns anos (e digo desde já que esta é uma hipótese puramente teórica), que um texto contra o mecanicismo ou o "tecnicismo", que nos parece deslumbrante, terá sido, na verdade, uma arma na luta contra o proletariado. Assim como podemos descobrir o contrário. Essa opacidade das formações sociais onde ocorreram revoluções da ditadura do proletariado é, além disso, um problema. Há, nos discursos políticos formulados dentro delas, uma espécie de codificação que ainda não aprendemos a dominar: contudo, a experiência deveria ter nos ensinado a não interpretar literalmente textos que sempre servem a uma função específica dentro de uma dinâmica de poder específica. A meu ver, buscar maneiras de decifrar esses sistemas é uma das tarefas da atual análise revolucionária marxista: e, fundamentalmente, é somente assim que podemos dar substância ao conceito de "formação ideológica", entendido como um dos componentes da formação social. Creio que toda sociedade também produz suas próprias formas de representação e ilusão, e que isso se aplica igualmente às chamadas sociedades "em transição". Buscar, na medida do possível, as leis que regem essa produção é um dos desafios mais importantes da crítica marxista.
É precisamente por isso que me parece errado buscar segurança apagando dos textos do passado tudo o que se opõe à sua redução a linhas idealizadas. Desconsideramos os textos de Lenin, nos quais se evidenciavam tendências que hoje chamamos de "tecnocráticas" ou desconfiadas do campesinato. Apagamos dos textos de Stalin tudo o que revelava aspectos dialéticos de suas posições. Assim, em 1930, Stalin insistiu longamente em seu texto "A Vertigem do Sucesso" e, especialmente, em "Resposta aos Camaradas das Fazendas Coletivas" (abril de 1930) na necessidade de não romper com o camponês médio e criticou duramente os "excessos", reiterando que o único alvo deveria ser o "kulak". Lenin havia adotado posições semelhantes durante o período do "Comunismo de Guerra", e em ambos os casos, a luta de classes real tomou um rumo diferente. É importante lembrar também que, durante a ascensão do estacanovismo e em outras circunstâncias, Stalin produziu inúmeros textos defendendo o empoderamento das massas e criticando a onipotência dos especialistas. Acredito que isso também influenciou a linha política de Stalin. No entanto, o desenvolvimento subsequente do revisionismo e o conhecimento (reconhecidamente limitado) que estamos começando a adquirir sobre a sociedade soviética estão agora lançando luz sobre aspectos dessa sociedade que permaneceram ocultos. É considerando todos os aspectos das políticas de Stalin que podemos compreender a complexidade das lutas de classes da época. E é também considerando todos os aspectos das posições políticas formuladas por Stalin — posições que estão longe de serem meramente "mecanicistas" ou "econômicas" — que podemos desenvolver algumas habilidades analíticas para o presente.
Resumindo, devemos abandonar uma "linha ideal" para ampliar o escopo da análise materialista.
COMUNISMO (BF) : É verdade que encontramos contradições em Stalin. Em outro nível, também encontramos contradições em Khrushchev. O problema é determinar o que predomina, analisando todos os aspectos da ligação entre teoria e prática. Ora, o que predomina em Stalin (e no partido) a partir da década de 1930 é, antes de tudo, uma crescente discrepância entre o discurso político e a prática real. A coletivização foi imposta mantendo-se, até o fim, a proclamação de uma aliança com o camponês médio, enquanto que, desde o início, na prática, ela foi conduzida contra essa aliança. Stalin disse em 1930: a violência não deve ser usada contra os camponeses, enquanto todas as diretrizes do partido desde o início da coletivização (e depois de 1930) implicavam, na verdade, o uso da violência contra as massas camponesas. Quando, ao final do Comunismo de Guerra, a aliança operário-camponesa foi objetivamente rompida, Lenin disse: ela deve ser restaurada. Lenin era um materialista; Ele viu e apontou a realidade como ela era. Quando, após a coletivização, a aliança operário-camponesa foi mais uma vez objetivamente rompida, Stalin proclamou que ela havia se fortalecido. O que agora domina é a negação das contradições. O outro aspecto dominante a partir da década de 1930, no nível ideológico e teórico, é a teoria das forças produtivas, o culto absoluto à tecnologia "moderna", a concepção de revolução de cima para baixo, etc.: essencialmente, uma regressão do marxismo-leninismo em direção ao revisionismo. Isso também corresponde ao domínio cada vez maior da burguesia em todas as áreas. As intervenções de Stalin sobre o estacanovismo, por exemplo, foram apenas desafios superficiais à economia então dominante e desenfreada: elas não se afastaram em nada da estrutura do slogan "a tecnologia decide tudo", apelando apenas à "iniciativa" operária (ou à "crítica" dos gerentes) no sentido preciso de aumentar os padrões de produção, etc.
Em ambos os níveis — a ruptura entre certos aspectos apologéticos do discurso político e a prática real, por um lado, e a natureza essencialmente revisionista da estrutura teórica geral, por outro — o que predominará entre os períodos stalinista e krushchevista será a continuidade. E tudo isso representa uma ruptura fundamental com o que havia ocorrido durante a época de Lenin e mesmo na década de 1920 (embora em circunstâncias obviamente diferentes).
Gostaria de retornar à influência que certas formações ideológicas específicas exerceram sobre a história dos movimentos operários e comunistas. Este é um aspecto importante da questão do "partido-mãe", cuja história um dia terá de ser escrita. Esse "partido-mãe" foi a social-democracia alemã durante a Segunda Internacional, o Partido Bolchevique durante a Terceira Internacional, mas também, de certa forma, o PCC após a ruptura com o revisionismo soviético. Muitas vezes, recusa-se a reconhecer que a relação entre os diferentes partidos nacionais ou movimentos operários não é de completa externalidade.
Na realidade, trata-se de uma relação muito complexa e em constante evolução, especialmente nas esferas ideológica e teórica. Por exemplo, é evidente que, por razões históricas óbvias, a relação entre causas externas (URSS) e causas internas não era a mesma na China do início da década de 1950 como era no início da década de 1960. Creio que uma concepção antidialética das contribuições das causas externas e internas na história do movimento comunista internacional (uma concepção que se desenvolveu em reação aos ataques da burguesia e também contra o trotskismo, mas que, em última análise, levou à negação de que as causas externas pudessem ser decisivas em certas circunstâncias) permite que uma série de mal-entendidos e mistificações persistam. Há, frequentemente, uma disposição para reconhecer a unidade do revisionismo internacional (uma unidade que é, na verdade, altamente contraditória), mas isso ignora o fato de que o proletariado, assim como a burguesia, também tem presença internacional.
É como se, com a ascensão de Khrushchev ao poder, fatores externos (a URSS) tivessem se tornado dominantes no movimento comunista internacional, enquanto antes, sob Stalin, fatores internos a cada país tinham precedência. Isso ignora o fato de que o marxismo, tal como existia na União Soviética na época (para não mencionar a política internacional), era a forma dominante do movimento comunista internacional.
R. LINHART: Penso que os mecanismos especificamente ideológicos que chamamos de influências, o modo de pensar (social-democrata ou não), são mecanismos subordinados em relação às relações reais, às relações de classe. Penso que existe uma maneira idealista de abordar o problema, dizendo: vejam, a mentalidade da Segunda Internacional foi reprimida, depois ressurgiu, e então vimos o retorno de uma mentalidade que tínhamos esquecido, depois de um conceito que havia se perdido, e assim por diante. Se um conceito ressurge em determinado momento e é usado para um determinado propósito político, isso ocorre dentro de um contexto político e social específico.
Não podemos ignorar toda a trajetória histórica e isolar as questões teóricas, reduzindo-as a um conjunto de critérios que supostamente definiriam o marxismo revolucionário hoje. O marxismo revolucionário é, antes de tudo, uma posição de classe dentro de uma situação concreta. É inútil responder indefinidamente às questões colocadas pelas crises passadas e presentes com: "Devemos preservar a aliança operário-camponesa. Não devemos oprimir as massas, etc." Essas são meras palavras vazias que se desfazem diante das contradições reais. E é somente levando em consideração toda a gama de contradições reais em nosso tempo — e na era que estamos discutindo — que podemos usar termos como linha de massas, ideologia, classes, tecnologia e sistema produtivo de maneira significativa.
Caso contrário, temos, por um lado, uma teoria que segue sua própria rotina tranquila, "enriquecendo-se com contribuições", e, por outro, uma realidade atual que nos deixa perdidos. Além disso, você sabe muito bem que hoje, pessoas que afirmam aderir ao mesmo arcabouço teórico não sabem o que pensar sobre Angola, Cuba, a União da Esquerda e outras mil coisas que a vida nos apresenta. Essa é a tragédia. Há uma desproporção fantástica entre certos debates teóricos sobre o marxismo e a capacidade de levar em conta a luta de classes concreta da atualidade.
C. BETTELHEIM : É óbvio que não se pode explicar as transformações de uma formação social referindo-se principalmente às concepções teóricas daqueles que desempenham um papel de liderança nas lutas em que essa formação social se insere, mas também não se pode ignorar essas concepções. De modo geral, o curso e o resultado das lutas sociais são determinados pelas formas ideológicas dentro das quais as massas e as organizações políticas conduzem sua luta. De fato, como Marx indica no prefácio de 1959, as lutas sociais são sempre travadas por meio de formas ideológicas específicas, e o resultado dessas lutas depende das formas e representações ideológicas que dominam as ações daqueles que lutam. Daí a importância da luta de classes ideológica: daí a atenção de Lenin à luta na frente teórica, incluindo a frente filosófica.
Retornando à formação social soviética do final da década de 1920 (que discuto no Volume 2 de *Lutas de Classes na URSS*), as contradições sociais objetivas certamente desempenharam um papel decisivo nas transformações pelas quais essa formação social passou. Essas contradições foram constituídas, em particular, pela natureza das relações entre o proletariado e o poder soviético, por um lado, e as massas camponesas, por outro; pela natureza das relações entre a indústria e a agricultura, e assim por diante. Contudo, a forma como o partido bolchevique lidou com essas contradições não foi um mero reflexo delas. Essa abordagem derivou de uma linha política que, por sua vez, foi produto de uma ampla luta de classes, uma luta de classes que também se desenvolveu no plano teórico. O resultado de todas essas lutas exerceu uma influência decisiva sobre o movimento subsequente dessas contradições. É claro que a luta de classes ideológica não ocorreu apenas no âmbito das "ideias". Ela está ligada a práticas sociais concretas e à dinâmica de poder entre as classes. Assim, a forma de industrialização empreendida pela União Soviética em 1929-1930 não pode ser dissociada do papel desempenhado pelos líderes das grandes empresas, pelos chefes dos trusts soviéticos e pelos funcionários da Comissão de Planejamento e do Conselho Supremo da Economia Nacional. Estamos lidando aqui com um conjunto de forças sociais que influenciaram o curso e a forma da industrialização, e que também influenciaram as transformações pelas quais passou a ideologia bolchevique naquele período. Contudo, essas transformações também tiveram um impacto recíproco nas lutas de classes na URSS, na ideologia do partido bolchevique e — dado o papel decisivo desempenhado por esse partido na Terceira Internacional — nas lutas de classes em todos os países onde setores da Terceira Internacional estavam presentes.
No volume 2 de *Lutas de Classes na URSS *, procurei especificamente destacar a interação entre contradições sociais objetivas, transformações sociais e transformações na formação ideológica bolchevique. A análise concreta revela o papel desempenhado por essas últimas transformações, na medida em que levam a uma interpretação particular da realidade soviética e ao desenvolvimento de uma linha política específica.
Em geral, algumas das concepções que dominaram cada vez mais o partido bolchevique durante a década de 1930 refletiam uma prática (por exemplo, a da "revolução de cima para baixo", iniciada em 1929), mas, por sua vez, essas concepções permitiram que elas se consolidassem e parecessem "teoricamente justificadas".
Mais uma vez, se a teoria e as formas ideológicas não desempenhassem o papel que desempenham nas lutas reais, a luta de classes ideológica – que é um dos aspectos essenciais da prática leninista – não teria a importância que merece na história do movimento revolucionário.
É através da análise da articulação das lutas sociais e da avaliação dos seus efeitos, bem como do papel desempenhado pelas formas ideológicas dominantes, que podemos tirar lições e revelar as consequências positivas ou negativas, do ponto de vista da revolução proletária, deste ou daquele conjunto de posições teóricas.
Assim, a análise concreta permite-nos compreender melhor como uma forma particular de marxismo historicamente constituído pode ser enriquecida pelas lutas de classes e contribuir para o desenvolvimento do marxismo revolucionário. Este último é capaz de se desenvolver porque não se constitui unicamente por posições que seriam úteis ao proletariado apenas num contexto específico; constitui-se também por um corpo de saberes de alcance universal. Negar a capacidade de desenvolvimento do marxismo revolucionário é reduzir a experiência histórica e a sua apropriação teórica a pouco mais do que alguns exemplos; é assumir que se deve quase sempre "começar do zero", porque só existem situações concretas particulares, e não conceitos que permitam a sua análise. Rejeitar a ideia – confirmada pela experiência – de uma teoria marxista capaz de se desenvolver e enriquecer é questionar o caráter científico do marxismo, a sua capacidade de produzir saberes de alcance universal e, portanto, reduzir o marxismo a um "ponto de vista" e a um "método".
Embora a análise concreta da formação ideológica bolchevique e suas transformações nos permita compreender melhor as condições em que o marxismo revolucionário pôde se desenvolver, essa análise também nos permite apreender as regressões sofridas pela formação ideológica bolchevique, regressões que eventualmente transformarão o bolchevismo em seu oposto, o que também terá consequências internacionais.
O problema da ruptura entre Lenin e Stalin deve ser abordado desta forma. Essa ruptura manifesta-se não apenas no plano teórico (por exemplo, como a transformação do marxismo de um instrumento crítico em um instrumento apologético), mas também, e sobretudo, no plano prático. Nesse plano, o que caracteriza a ruptura entre Lenin e Stalin é a tentativa, feita a partir de 1929, de impor transformações sociais "de cima para baixo" às massas, transformações essas que elas não estavam preparadas para aceitar. Consequentemente, o conteúdo das transformações implementadas (por exemplo, o desenvolvimento das fazendas coletivas) é radicalmente diferente daquele que teria sido alcançado por meio de um genuíno movimento de massas, acarretando inúmeras consequências para a formação social soviética.
Em diversas áreas, observam-se rupturas entre as posições de Lenin e Stalin. É o caso, por exemplo, da relação entre a grande e a pequena indústria, do problema da diferenciação salarial e do abandono ou manutenção do partmax (isto é, a proibição de um membro do partido receber um salário superior ao de um operário). De fato, tanto na prática quanto na teoria, trata-se de um conjunto de ideias desenvolvidas durante a década de 1930 que contribuiriam enormemente para as subsequentes derrotas do proletariado soviético. Há lições a serem aprendidas com isso, e essas lições têm implicações universais.
COMUNISMO (BF): Gostaria de acrescentar algo a este respeito, sobre a relação Lenin-Stalin. Se considerarmos a concepção de socialismo de Lenin (uma concepção em desenvolvimento), a concepção do que representa a transição entre capitalismo e comunismo, o significado das alianças de classe; se observarmos como Lenin, diante da prática e das condições concretas da revolução soviética, desenvolve suas concepções, está constantemente atento às contradições, esforça-se para compreender o que lhe surge de novo na prática das massas, tenta criticar ou revisar certas ideias que ele próprio já possuía, luta, possivelmente, para retificar a política definida anteriormente, etc., temos um exemplo fantástico de uma atitude fundamentalmente dialética (isto é, crítica e revolucionária). É por isso que o pensamento de Lenin (que deve ser compreendido em seu movimento) está constantemente na vanguarda das posições do proletariado, e por isso que Lenin foi um dos maiores líderes do proletariado. Mas se compararmos tudo isso com a concepção de socialismo que dominaria a partir da década de 1930, ainda que em condições diferentes, vemos emergir algo qualitativamente diferente (refiro-me ainda ao que domina). Vemos, não mais esse aspecto dialético, esse aspecto de crítica à própria prática, mas, ao contrário, a justificação, a apologia da ordem vigente. A partir da década de 1930, a ideia dominante (ver Stalin) é a de que o socialismo triunfou definitivamente porque a propriedade estatal é hegemônica, e que a tarefa essencial é "defender" o estado atual das coisas. Não se trata mais de dizer: estamos na transição entre dois modos de produção, portanto a revolução deve continuar; pelo contrário, o argumento é: devemos, acima de tudo, proteger o que já existe. Mas o que ainda existe é também o capitalismo, o capitalismo de Estado, a burguesia na sociedade, o partido e o Estado, etc.
COMUNISMO (HC): Concordo plenamente com Linhart quando ele afirma que a posição de classe proletária é uma característica fundamental do marxismo, mas não creio que possamos nos concentrar apenas nesse aspecto. Penso que existem outras conquistas, e estas formam um todo complexo que, embora nos permita analisar a realidade, está constantemente engajado com ela. Além da posição de classe, esse conjunto de conquistas constitui uma compreensão científica do modo de produção e do desenvolvimento social, bem como a experiência negativa e positiva acumulada do movimento revolucionário. Ressalto que esse conjunto de conquistas não é algo dado; ele é constantemente objeto de luta, apropriação e desapropriação pelo proletariado.
Mas essas conquistas não oferecem garantias. Nada, absolutamente nada, pode garantir que o proletariado, se fizer uma revolução, não será esmagado algum tempo depois. Mesmo que esse proletariado seja poderosamente organizado, experiente e possua um partido que empregue brilhantemente o marxismo-leninismo, liderando a luta de classes, etc., nenhuma conquista garante para sempre que o proletariado não voltará a cair sob o domínio do capital. Nisto reside uma conquista: nenhuma garantia, nenhuma verdade absoluta. Não é possível, por exemplo, falar de uma "vitória definitiva" do socialismo, ao contrário do que o movimento comunista afirmava durante a época de Stalin.
R. LINHART : O termo "conquista" me parece enganoso. O problema é que essa "base" precisa ser constantemente reconquistada, em lutas concretas, em circunstâncias inéditas. Vejamos a questão da aliança operário-camponesa: pode-se ter lido todos os textos imagináveis sobre os erros a evitar (lembro que Stalin, durante a NEP, citava constantemente textos de Engels e Lenin sobre a necessidade de não alienar o campesinato, de conquistá-lo pela persuasão, etc.), passar boa parte da vida martelando este ou aquele princípio fundamental, ou aquele declarado como tal... e então fazer o oposto sob certas condições! Esse é o problema do marxismo. A linha de massas é certamente uma importante conquista política do marxismo revolucionário. Mas uma "conquista teórica"? Duvido: estou convencido de que ela pode perfeitamente ser brandida para encobrir uma ditadura burguesa.
O pensamento de Lenin, por exemplo, é um sistema que, na minha opinião, não incorpora o que podemos exigir hoje em relação à aliança entre operários, camponeses e intelectuais, à transformação do processo de trabalho, à ideologia e às superestruturas, e assim por diante. O pensamento de Lenin e o leninismo são, em linhas gerais, algo ultrapassado. Dito isso, o que se chama de "marxismo-leninismo" é bem diferente: trata-se precisamente da capacidade de assumir a perspectiva fundamental do materialismo histórico e do proletariado em cada nova época, a fim de abordar problemas concretos e novos. Isso não se consegue congelando fragmentos da experiência histórica em fórmulas. Por que dizer que o que "finalmente se alcançou" foi a cooperação agrícola ou a indústria de pequena escala? Isso é ridículo.
Em relação ao período stalinista, que foi de transição, acredito que concentrou aspectos da ditadura do proletariado sobre a burguesia (inicialmente dominante) e aspectos da ditadura da burguesia sobre o proletariado (cada vez mais no final do período). E é verdade que não podemos nos contentar com explicações simplistas de que tudo mudou da noite para o dia porque Khrushchev derrubou a maioria do Politburo cercando-a com tanques. Mas igualmente simplista é a visão de que tudo desmoronou porque passamos de um Lenin bom e dialético para um Stalin mau e mecanicista.
COMUNISMO (HC): Surge uma questão: o que fazer com as análises marxistas hoje em dia?
R. LINHART : Não acredito que defender o marxismo possa ser um fim em si mesmo. O marxismo sempre será revivido para servir a algum propósito, quando houver pessoas que saibam como usá-lo.
A única coisa que pode manter o marxismo vivo hoje são as análises concretas que ele pode produzir – seja sobre a França, Portugal, o sul da Europa, novas formas de imperialismo e transferência de tecnologia, lutas de classes na China, etc.
Obviamente, precisamos de análises da atual União Soviética (e não apenas de sua história). Ela constitui um sistema imperialista hoje? O que é o Comecon? O que se pode chamar de burguesia e proletariado na URSS? Quais forças proletárias podem ser apoiadas na URSS? Tudo isso permanece um grande mistério. E vimos claramente em Portugal o quão desorientados estão os grupos que se dizem marxistas-leninistas e pró-China em relação às questões mais fundamentais da estratégia antirrevisionista: o UDP e o MRPP entraram em confronto violento, uma violência que levou alguns ativistas a se matarem!
Voltando-nos para a França, uma questão como a avaliação de Maio de 68 é extremamente importante. Pessoalmente, creio que Maio de 68 testemunhou um movimento duplo: uma tentativa de expressão proletária por parte da classe trabalhadora, oprimida pelo desemprego e pelas difíceis condições de vida impostas pelo gaullismo; e uma erupção, que ganhou destaque, da pequena burguesia intelectual, ávida por transformar a sociedade de uma certa maneira e por ocupar posições de poder dentro dela. E penso que Maio de 68 de fato contribuiu para uma renovação maciça da participação da pequena burguesia no sistema de poder capitalista. Isso foi alcançado, entre outras coisas, por meio dos praticantes das chamadas "ciências humanas", pelo desenvolvimento de um arcabouço psiquiátrico, psicanalítico, psicológico, sociológico e pedagógico, por meio da educação continuada, do planejamento urbano, da produção cultural e assim por diante. "Imaginação no poder": esse lema sintetizava as demandas de uma pequena burguesia reprimida pela forma vigente de dominação burguesa, e que conseguiu participar da reformulação dessa dominação. Dito isso, quando alguém se via preso entre o martelo do movimento de massas da juventude e da pequena burguesia intelectual e a bigorna de um domínio revisionista sobre a classe trabalhadora, apesar da turbulência dentro de algumas de suas facções, o que fazer?
No início da década de 1960, era óbvio que a França era um país imperialista, mas a consciência pública disso era gritante. Havia toda uma geração emergindo da Guerra da Argélia, que havia vivenciado Massu e a tortura. Além disso, o conflito entre o imperialismo e os povos revolucionários ao redor do mundo era exemplificado no Vietnã. Era tudo bastante evidente.
Hoje, a França é inegavelmente um país imperialista, mas a consciência pública disso, particularmente entre os intelectuais, é muito menor. A França está atualmente saqueando o Gabão, Marrocos, a Amazônia e o Mato Grosso: é a mais-valia gerada pelos investimentos franceses em todo o mundo que permite à burguesia francesa reestruturar sua indústria e lidar com o desemprego em massa sem ainda desencadear uma explosão social. Todos esses mecanismos são os mesmos de antes, mas estamos menos conscientes deles e, portanto, menos indignados com eles.
O que acontece é que os ideólogos, sempre prontos a mudar de opinião e seguir a corrente dominante, estão fazendo exatamente isso. Em 1965-66, eles se aliaram ao marxismo porque havia uma crise da ideologia burguesa e um protesto humanitário contra as guerras coloniais. Mas hoje, a situação é muito mais complexa e, embora os mecanismos subjacentes sejam fundamentalmente os mesmos, a burguesia compreende muito melhor a imagem de suas formas de dominação e conseguiu usar a restauração do capitalismo na URSS para transformá-lo em um bicho-papão anticomunista. A tensão ideológica é, portanto, muito maior, e é muito mais difícil manter uma posição marxista hoje em dia.
É difícil conduzir análises marxistas hoje, mas é a única maneira de defender o marxismo: produzir um marxismo que viva dentro da situação concreta atual. Concordo plenamente que, com base nisso, poderíamos dizer: para entender um determinado processo atual, é preciso entender outro processo passado. Contanto, é claro, que sob o pretexto de estudo preliminar, não nos deixemos atolar no que são, em última análise, debates escolásticos e uma forma de manter o marxismo vivo em formato acadêmico, o que nada mais é do que uma ilusão de sobrevivência.
C. BETTELHEIM : A defesa do marxismo depende, antes de tudo, da produção de conhecimento utilizando o marxismo e de ações realizadas graças a esse conhecimento, que, por sua vez, é corrigido pela ação. Podemos, portanto, concordar que a defesa do marxismo não se dará pela repetição dos "textos sagrados" do passado. Ela depende, primordialmente, da análise concreta da situação atual na França e no mundo, de modo a permitir uma orientação adequada das lutas que estão se desenvolvendo e que se desenvolverão. Somente assim o marxismo poderá continuar a ser um guia para a ação. Mas é preciso enfatizar que a análise marxista de uma situação concreta não é uma simples descrição empírica da realidade. Essa análise coloca necessariamente em prática, de forma crítica, o conhecimento já adquirido pelo marxismo. Sem essa mobilização do conhecimento adquirido, a análise concreta corre o risco de permanecer superficial, não captando o movimento real e levando à repetição dos erros do passado. Portanto, uma análise concreta das lutas atuais não pode ser separada de uma análise concreta do passado, das lutas dos últimos cinquenta anos, da forma como foram representadas e dos arcabouços teóricos que as orientaram. É sob essas condições que o marxismo se desenvolverá e estará à altura dos desafios da época, continuando assim a ser a teoria revolucionária sem a qual nenhum movimento revolucionário poderá alcançar vitórias genuínas.
Publicado originalmente na revista Comunismo
nº 27-28, março de 1977.
Republicado em REVUE PERIODE/JANEIRO2019
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