Rússia e imperialismo: uma análise à luz das teses de Lenin. Lois Pérez Leira/ResumoLatinoamericano
Rússia e imperialismo: uma análise à luz das teses de Lenin.
Resumo Latino-Americano, 27 de março de 2026.
Caracterizar a Federação Russa dentro do sistema capitalista contemporâneo exige um retorno às fontes do materialismo histórico, particularmente às teses de Vladimir Ilyich Lenin sobre o imperialismo como o estágio superior do capitalismo. Nessas teses, o líder russo não definiu o imperialismo como mera expansão militar, mas como uma estrutura econômica com características específicas. Em comparação com a Rússia atual, esses critérios permitem questionar a noção de que ela seja uma potência imperialista no sentido clássico.
A primeira característica é a concentração de capital a ponto de formar monopólios que dominam a economia global. Embora a Rússia possua grandes corporações, seu peso relativo no mercado mundial é limitado. De acordo com o ranking Global 2000 da Forbes, o impacto das empresas russas nas vendas e lucros globais é pequeno em comparação com os gigantes dos Estados Unidos e da China. Em vez de criar condições, a economia russa parece ser condicionada pelos preços internacionais das commodities definidos nos centros financeiros globais.
No que diz respeito à fusão do capital bancário e industrial — fundamento da oligarquia financeira — a comparação também é desfavorável. O sistema financeiro russo é muito menor do que o das grandes potências. Longe de se expandir globalmente, enfrenta restrições externas, sanções e fuga de capitais para mercados sob controle ocidental. A Rússia não exerce o tipo de domínio financeiro que Lenin atribuía aos países imperialistas; pelo contrário, está parcialmente excluída desses circuitos.
Outro ponto crucial é a exportação de capital. As potências imperialistas caracterizam-se por investir no exterior para capturar valor. No caso da Rússia, predomina a exportação de matérias-primas — gás, petróleo e minerais —, juntamente com uma dependência tecnológica de bens complexos produzidos fora de suas fronteiras. Essa estrutura a alinha mais estreitamente com economias periféricas ou semiperiféricas do que com um centro imperialista consolidado.
A dimensão militar é frequentemente o argumento mais utilizado para justificar o rótulo de imperialismo. No entanto, em termos comparativos, a presença global da Rússia é limitada em comparação com a rede de bases militares dos EUA. Seu posicionamento concentra-se principalmente em suas imediações e está inserido no contexto da disputa com a OTAN. Dessa perspectiva, suas ações podem ser interpretadas mais como uma política de defesa de sua esfera de influência do que como uma expansão com o objetivo de conquistar mercados globais.
Nesse contexto, a Rússia surge como um país capitalista que busca preservar sua autonomia dentro de um sistema internacional dominado por potências centrais. Seu papel, em vez do de um ator imperialista clássico, situa-se nas tensões de uma ordem global em transição para a multipolaridade.
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